terça-feira, 27 de julho de 2010

Especial Eleições: Festa da democracia aberta para menores





Decidir, fazer escolhas, optar. A busca da independência e do direito de opinar sempre foi o anseio do universo juvenil. Mas isso nem sempre se reflete quando o assunto é a primeira eleição. É o que dá a entender recente balanço divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A edição desta quarta-feira (21) do jornal “MTV na Rua” trouxe uma matéria divulgando esses números em reportagem que apontou a diminuição do interesse dos jovens entre 16 e 17 anos em votar. O veículo voltado à juventude, com tiragem de 150 mil exemplares e distribuído gratuitamente todos os dias em São Paulo, acabou fazendo um alerta. O levantamento do TSE mostra que, em relação às eleições de 2008, o eleitorado jovem encolheu 18%. Foi a primeira redução em 12 anos.

Com a matéria em mãos, o EstudanteNet foi conversar com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) para tentar entender essa variação pela ótica do movimento estudantil. O presidente da entidade, Yann Evanovick, na entrevista, responsabilizou o poder público por certas políticas que contribuíram com a ausência crítica dessa faixa do eleitorado. “Nosso país é jovem e se espera muito da nossa juventude, mas o Estado é responsável por isso. Em outros governos nos foram tiradas as disciplinas de Sociologia e Filosofia do Ensino Médio e só agora conseguimos o retorno delas", justificou Evanovick. As matérias que voltaram a ser obrigatórias no currículo escolar são, segundo ele, fundamentais para o desenvolvimento do espírito crítico dos estudantes. "Cabe a nós trabalhar o grau de consciência desses jovens”.

Por falar em consciência, a historiadora da FGV Marly Motta avalia de outra forma esse ‘encolhimento’ dos jovens eleitores. Hoje, os jovens têm outros espaços em que podem se organizar e atuar diretamente na política. “Ele quer ter participação direta. O voto é indireto, é uma intermediação da participação via partido, via político. E o jovem não se vê mais representado dessa forma”, opiniou ela em reportagem do jornal O Globo.

O professor do departamento de sociologia e política da PUC-Rio, Ricardo Ismael, também fonte do jornal carioca, indicou ainda a falta de espaços institucionais para participação política dos jovens, sobretudo os do ensino médio. “O grêmio estudantil é uma forma de o jovem começar a participar, e hoje não é tão comum nas escolas. Os partidos também não abrem espaço para os jovens. A renovação neles se faz como? Pelo filho do deputado, do senador... É renovação por parentesco”.

Se liga 16!
Desde que os adolescentes, a partir dos 16 anos, conquistaram o direito ao voto (nas eleições de 1989), a UBES participa ativamente do processo de conscientização dos eleitores secundaristas nas instituições de ensino de todos os estados. E não é só conscientizando a juventude quanto ao exercício da democracia, mas abrindo a mente dos estudantes para sua participação na mudança dos rumos do nosso país.

A cada ano eleitoral a campanha "Se Liga 16!" busca incentivar os jovens a partir dessa idade a tirar seu título de eleitor. Em uma fase seguinte, a ideia é estimular o voto consciente. O “Se Liga 16! 2010 é a nossa vez” visitou até maio cinco mil escolas de todo o Brasil e no período incentivou mais de 200 mil estudantes a tirarem o título de eleitor. "Só em Minas Gerais, foram mobilizados 14 mil. Isso demonstra que existe sim uma parcela da população jovem que quer ter um representante seu no governo”, afirma Evanovick, que ressaltou a importância da atuação dos grêmios nas escolas.

UBES e o voto consciente
Para a entidade secundarista, o processo de votação deve sempre passar por três fases. A primeira é a decisão de votar e exercer a sua cidadania. A segunda é avaliar a proposta de seus candidatos, saber qual o plano de governo e, se possível, visitar o comitê de campanha. E em terceiro, após eleito o seu candidato escolhido, acompanhar o que ele tem feito com o seu voto. “Esse é o sentido da democracia. E não adianta falar que não tem tempo”, declara o presidente da entidade.

Na era digital, existem diversas formas de saber o que o seu representante no governo anda fazendo por aí. Você pode acompanhá-lo pela internet, enviar e-mail, seguir no Twitter (muitos políticos possuem a ferramenta), ligar no gabinete e se tiver um tempinho dar uma passada por lá, as Assembleias, o Senado, o Congresso e o Planalto são abertos para a visitação. Vale sempre a pena, também, verificar se ele realmente está cumprindo o seu papel. “Os jovens querem sim ver uma mudança política. É só perceber que desde a campanha “O Petróleo é Nosso” até a “PEC da Juventude” foram eles que alcançaram a vitória. É importante para a juventude conhecer a sua história e ver os resultados através da nossa luta”, concluiu.


Fonte:

http://www.une.org.br/