sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PROFESSORES DO ESTADO APROVAM INDICATIVO DE GREVE PARA 2011

Reunidos em assembleia, na manhã de ontem, os professores da rede de ensino do Estado aprovaram um indicativo de greve para o início do ano letivo de 2011, caso o governo não sinalize de forma positiva para a aprovação do Estatuto do Educador. A informação foi passada pelo presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação do Estado do Maranhão (Sinproesemma), Júlio Pinheiro.

Ele disse que a assembleia de ontem teve como objetivo principal, justamente, apreciar a possibilidade da deflagração de uma greve motivada pela não aprovação do Estatuto; e que tudo indica para uma paralisação geral dos educadores. Além da greve, também foi acertada a construção de uma agenda de mobilizações que irá focar a Assembleia Legislativa do Maranhão, tendo em vista a aprovação da Lei Orçamentária para 2011. “A lei precisa ter uma leitura técnica e incluir logo as demandas dos trabalhadores da educação”, ressaltou o presidente do Sinproesemma.

Júlio Pinheiro afirmou que a base dessa agenda de mobilizações serão reuniões com a Comissão de Educação da Assembleia e audiências públicas sobre orçamento para a área educacional. Ele contou que a aprovação das duas demandas foi unânime em São Luís e que as regionais já sinalizam também para a concordância com os encaminhamentos discutidos ontem. “Precisamos discutir esses assuntos antes de fechar o orçamento de 2011. O sindicato solicitou uma audiência com o secretário Anselmo Raposo para tratar, especificamente, sobre o andamento e a previsão para a aprovação do Estatuto, mas nunca tivemos resposta”, informou Pinheiro.
Formação continuada – O presidente do Sinproesemma também teceu críticas à Formação Continuada em Rede, iniciada pelo governo do Maranhão, por meio da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), na última segunda-feira, 18. Júlio Pinheiro afirmou que o Estado propôs fazer a formação em dois momentos, no início do ano letivo e no começo do segundo semestre, mas não fez e decidiu realizar agora sem nenhum planejamento, prejudicando até os alunos que pretendiam fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) devido à paralisação das aulas. “O governo não se organiza para a formação, não planeja; faz apenas para justificar o uso de recursos federais. Defendemos que a formação seja permanente e planejada, envolvendo professores e estudantes; que seja uma ação contínua, que a escola passe a fazer sua própria formação, com sua equipe técnica e com a democratização dos temas a serem abordados”, declarou.
Júlio Pinheiro informou que o Estado ofereceu a formação para 47 mil professores sem a mínima condição de trabalho, sem material didático e sem equipamentos para suporte dos formadores. Ele denunciou que o deslocamento dos educadores é feita de forma precária, que algumas pessoas foram hospedadas em motéis da capital, que a comida servida estava estragada. “O que se viu foi uma completa desorganização, faltando qualidade para a formação; e que, devido ao estresse, está havendo é uma deformação.
Outro lado – Em um texto publicado no site da Seduc e enviado às redações, o secretário Anselmo Raposo afirmou que a formação está incluída no calendário escolar e que, por isso, não irá prejudicar os alunos. Ele disse ainda que o curso faz parte da política de valorização dos profissionais do magistério, do governo do Estado, e que está em consonância com o plano de formação do Ministério da Educação (MEC).
De acordo com a coordenadora da formação, Narcisa Enes Rocha, todos os problemas de logística identificados pela Seduc nos dois primeiros dias de formação, quanto à hospedagem, alimentação, sala de vídeo, computador, material didático, entre outros, estão sendo solucionados junto ao Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Social do Maranhão (Iadesma), contratado para garantir a infraestrutura do evento.
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POR WELLINGTON RABELLO (Jornal Pequeno)

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