terça-feira, 8 de maio de 2012

Prisão de falsificador revela fraude eleitoral na Baixada

POR GABRIELA SARAIVA e OSWALDO VIVIANI
A prisão, na última sexta-feira (4), do falsificador Deyslan Silva Mendes, de 27 anos, no município de Santa Helena, e documentos apreendidos numa casa e numa fazenda revelaram um grande esquema de fraude eleitoral na Baixada Maranhense. Segundo a polícia, Marcel Everton Silva, o “Marcel Curió”, filho do prefeito de Turilândia, Domingos Savio Fonseca Silva, o “Domingos Curió”, está envolvido nas fraudes, assim como seu pai. Marcel é pré-candidato a prefeito de Governador Nunes Freire. Outros políticos também podem ter sido beneficiados com as falsificações. O delegado de Nunes Freire, Ricardo Pinto Aragão, que está à frente das investigações, apontou os nomes do vice-prefeito de Governador Nunes Freire, Edmilson Medeiros Santos, o “Pachico”, 51 (PDT); do vereador Raimundo Pedro Costa, 38 (PSD), de Turilândia, e de outro filho de Domingos Curió, conhecido como Paulo Curió.
As investigações que resultaram na operação policial que prendeu Deyslan Silva Mendes – levada a cabo por policiais civis de Junco do Maranhão, Maracaçumé, Santa Helena e Governador Nunes Freire – tiveram início no dia 25 de abril passado, quando três pessoas foram presas em flagrante em posse de documentos falsos para adquirir transferência de títulos eleitorais. Foram presos, na ocasião, João de Deus Silva, Edinalva da Silva Melo e a agenciadora Valdemira Martins Matos, surpreendidos em flagrante com documentos falsificados da Cemar, do Banco do Brasil e da Oi.
Portando mandados de prisão e busca domiciliar, expedidos pela juíza Raquel Araujo Castro Teles de Menezes, com o parecer do promotor Hagamenon de Azevedo, a polícia diligenciou à residência do falsificador Deyslan Mendes, em Santa Helena.
No local, foram apreendidas impressoras e uma grande quantidade de material falsificado, inclusive informatizado. Entre os documentos, foram encontrados extratos bancários e envelopes do Banco do Brasil e do Itaú, além de certidões de nascimento, casamento, carteiras de identidade, documentos de cartórios eleitorais de alguns municípios, CPFs, certidões de óbito, IPVA e mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Cível de São Luís.
Já em Governador Nunes Freire, numa busca realizada na fazenda do pré-candidato a prefeito de Governador Nunes Freire, Marcel Everton Silva, foi encontrado vasto material, fruto de falsificação, com documentos públicos e privados e até mesmo símbolos dos poderes Judiciário e Executivo.
“Achamos inclusive títulos de eleitor duplicados e documentação da Caema”, disse ao JP o delegado Ricardo Pinto.
Segundo o delegado, as fraudes vinham sendo realizadas desde 2008, e vários políticos – entre eles o atual prefeito de Turilândia, Domingos Curió, teriam sido eleitos por meio delas.
Entre os documentos falsificados apreendidos, 1.500 foram utilizados nas eleições passadas (2008) e 730 seriam usados por Marcel Curió. Em depoimento, Deyslan teria afirmado, segundo a polícia, que recebeu o valor de R$ 5 mil nos trabalhos realizados durante a eleição de 2008, e que, para as falsificações que estavam sendo feitas para o próximo pleito, receberia por cada 200 lotes de documentações “fabricadas” a quantia de R$ 50 mil.
Conforme o delegado Ricardo pinto, pelo menos 10 políticos estão diretamente envolvidos nas fraudes e foram beneficiados com o esquema. De forma indireta, aproximadamente 400 pessoas participavam do processo.
“Encontramos também vários documentos da Previdência Social, que indicam que as fraudes eram feitas igualmente com o nome de pessoas mortas”, informou o delegado de Nunes Freire, que garantiu que “todos os envolvidos no esquema fraudulento serão indiciados”.
O pré-candidato a prefeito de Governador Nunes Freire, Marcel Curió, não foi encontrado na fazenda em que a polícia realizou busca e apreensão. Ele teve sua prisão pedida.
Ao ser interrogado, Deyslan Mendes teria afirmado à polícia que trabalhou no Cartório do Fórum de Santa Helena e no Tribunal de Justiça de São Luís, mas o TJ-MA negou que o acusado tenha tido qualquer vínculo empregatício com a instituição.

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